Entenda a gestão de riscos na comercialização de energia

A necessidade de gerenciar riscos é fundamental para minimizar as chances de prejuízos em qualquer setor do mercado.

Trata-se, assim, de um diferencial competitivo que contribui para potencializar os lucros da empresa.

Neste artigo, falaremos como funciona a gestão de riscos na comercialização de energia. Continue a leitura!

Entenda o que é gestão de risco no setor de energia

Os riscos abrangem diferentes possibilidades de prejuízos, seja por transações financeiras ou investimentos. Cabe ao gestor identificar e encontrar formas de minimizá-los.

A gestão de riscos se fundamenta no pressuposto de que risco e retorno são diretamente proporcionais, o que significa que é preciso assumir determinado nível de risco para obter certo retorno. Na comercialização de energia, a situação é a mesma existente em todos os setores.

Gestão de riscos mais importantes para a comercialização de energia

Os riscos financeiros são divididos em classes, veja as principais a seguir!

Mercado

O risco de mercado é o mais importante para empresas que trabalham com comercialização de energia. Está relacionado à oscilação dos preços.

Em geral, o risco aparece devido à posição em aberto de energia (déficits ou sobras), que ainda não se transformou em contrato. Caso os preços sejam desfavoráveis para a empresa que detém a posição, o valor da carteira de energia fica reduzido.

Crédito

Nesse caso, uma das partes não segue algum compromisso assumido no contrato de energia, deixando a outra parte exposta a riscos financeiros, como:

  • pagamento bilateral;
  • registro ou validação na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

Entre as consequências advindas do risco de crédito, podemos citar maior exposição ao risco de mercado e queda de liquidez.

Em empresas que têm na comercialização de energia sua principal fonte de renda, esse problema resulta de uma gestão de riscos de mercado mal planejada — especialmente quando uma das partes se arrisca acima de suas limitações financeiras.

Os riscos de crédito estão ligados também à renegociação de contratos, atraso ou descumprimento de pagamentos de faturas.

Liquidez

O risco de liquidez se refere ao aumento nos custos de transação. Ele causa impacto, principalmente, em três aspectos da comercialização de energia:

  • redução das contrapartes disponíveis;
  • piora em relação ao risco contido no contrato;
  • aumento no período para fechamento das posições.

É um risco que pode se originar do desequilíbrio entre oferta e demanda de energia, como acontece quando há elevada migração de consumidores, ou como resultado do aumento da aversão ao risco de mercado.

Como esses riscos impactam o mercado

Veja, a seguir, os principais fatores de risco que afetam as comercializadoras de energia.

Consumidores

Todo consumidor está sujeito, em maior ou menor grau, ao risco de mercado, dependendo da forma como contrata a energia.

As perdas relacionadas geram aumento no custo por unidade de produção. Isso diminui sua competitividade e pode inviabilizar a produção.

A incerteza na projeção do consumo de energia, que serve para embasar as decisões no momento de contratar, é um fator de risco que pode expor os consumidores ao risco de mercado.

Contratos de longo prazo podem reduzir o risco de mercado, mas geram o risco de crédito, porque contratações nesse modelo apresentam preços atualizados por índices de inflação.

Gerador

Por ser vendedor de ofício, o gerador se expõe principalmente ao risco de mercado enquanto não for concretizado o contrato de venda. Porém, o grau desse risco depende de fatores como:

  • porte;
  • fonte geradora;
  • modalidade típica do contrato.

Para o gerador que atua no Mercado Livre de Energia, o risco é representado pela diminuição no preço médio de vendas, o que prejudica o retorno do investimento.

É fundamental fazer a gestão de clientes e operação, pois a instabilidade da receita tende a causar problemas de fluxo de caixa e planejamento.

A negociação da energia de forma antecipada leva ao risco de liquidez, especialmente se o volume de energia negociado for muito alto considerando os recursos da empresa geradora.

Comercializadora

No mercado, a comercializadora apresenta duas funções:

  • mediação do mercado físico: assume parte dos riscos dos consumidores e dos geradores;
  • oferta de liquidez ao mercado: compra/venda de energia que criam referenciais de preço e diminuem o risco de liquidez.

A empresa que se dedica à comercialização de energia se expõe ao risco de mercado de forma que a margem de lucro e saúde financeira possam ser prejudicadas pela oscilação de preços.

Para desempenhar sua função de liquidez, a comercializadora costuma manter uma carteira diversificada de clientes para diminuir resultados negativos e os impactos de contratos descumpridos.

Boas práticas para o gerenciamento de riscos

Práticas saudáveis de gestão de riscos consistem em um conjunto de ações que a maior parte das empresas adota, incluindo as organizações da área de energia elétrica.

Vamos apresentar, brevemente, as práticas citadas na Cartilha de Referência da Abraceel, sigla para Associação Brasileira do Comercializadores de Energia Elétrica. As práticas foram organizadas de forma temática, considerando cada um dos pilares fundamentais da gestão de riscos. Acompanhe!

Estrutura (política)

A política de risco é um documento que regulamenta atividades de gestão de riscos, devendo ser o mais claro possível. Nesse sentido, destacamos as seguintes práticas:

  • formalização de instâncias de controle;
  • organização da hierarquia de documentos;
  • documentação e aprovação da política de risco;
  • especificação do escopo e das classes de risco;
  • definição de quem será responsável pela gestão;
  • constituição de métricas e de como elas serão monitoradas.

Pessoas

No quesito pessoas, algumas boas práticas são:

  • disseminação da cultura de risco;
  • monitoração dos movimentos de mercado;
  • definição da trilha de aprendizado almejada;
  • supervisão da efetivação da política de risco;
  • implementação, validação e melhoria dos modelos;
  • capacitação de todos que se envolverem com riscos.

Processos

Os processos racionalizam a gestão de riscos e a tornam acessível aos tomadores de decisão. Nesse pilar, as boas práticas envolvem:

  • parâmetros e dados atualizados;
  • documento das premissas e dados;
  • cálculo das métricas definidas na política;
  • confirmação da consistência dos modelos;
  • monitoramento da evolução dos indicadores;
  • armazenamento de relatórios e indicadores oficiais;
  • definição da periodicidade da atualização das informações;
  • associação de métricas de risco com indicadores financeiros.

Sistemas

Nos processos automatizados por sistemas, existe um conjunto de informações e ferramentas que ajudam a escolher estratégias alinhadas aos objetivos da empresa. Algumas práticas são:

  • controle de acesso e perfis;
  • mitigação dos riscos operacionais;
  • garantia da integridade dos dados históricos;
  • implementação dos métodos da política de risco;
  • automação na elaboração de análises e relatórios;
  • execução de todas as etapas dos processos críticos;
  • praticidade na extração de informações para análises;
  • documentação, catalogação e organização de entradas e análises.

Metodologia

A metodologia fornece informações sólidas para que os tomadores de decisão identifiquem oportunidades e evitem riscos mais graves.

Boas práticas de metodologia para risco de mercado:

  • marcação ao mercado;
  • definição de somente um balanço energético anual;
  • avaliação de diferenças de valores entre fontes de energia;
  • verificação do impacto de propostas e novos contratos na carteira oficial;
  • atualização de correções e volatilidade conforme a movimentação de mercado;
  • cálculo de métricas oficiais de risco (principalmente, considerando contratos assinados e posição em aberto).

Boas práticas de metodologia para risco de crédito:

  • formalização da aprovação de crédito;
  • organização de grupos/perfis de crédito;
  • padronização de checklists de documentos;
  • verificação da possibilidade de inadimplência;
  • acompanhamento e controle da qualidade de crédito das carteiras;
  • precificação das operações com a inclusão do componente de crédito.

Boas práticas de metodologia para risco de liquidez:

  • monitoração do total de operações fechadas;
  • verificação de fatores que impactam na liquidez;
  • separação da parte da carteira sujeita à baixa liquidez;
  • correção de métricas de liquidez e volatilidade para analisar risco de liquidez.

Benefícios da gestão de risco

Confira, abaixo, as vantagens do gerenciamento de risco para empresas especializadas na comercialização de energia.

Controle de perdas

A gestão de riscos evita que situações adversas tragam efeitos danosos ao mercado ou ao negócio.

Maior credibilidade no mercado

Com a otimização da percepção de profissionalismo da empresa, a liquidez particular tende a aumentar, refletindo na visão de crédito.

Crescimento sustentável

A melhor previsibilidade nos resultados contribui para proteger o negócio de decisões que possam prejudicar as finanças empresariais. Assim, há resultados benéficos no planejamento e custo de capital.

Agilidade e alocação de capital sensível ao risco de mercado

A gestão de riscos permite o dimensionamento dos recursos necessários para cobrir os diferentes níveis de riscos e a priorização de operações que se destacam por uma relação risco-retorno mais vantajosa.

Diante dessas informações, vimos que a gestão de riscos é essencial para assegurar o êxito de qualquer empresa no mercado de comercialização de energia.

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